Os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) cresceram muito nos últimos cinco anos e atingiram, agora em Agosto, a marca de
quase 1 milhão de investidores individuais. Um crescimento bastante respeitável.
Mas para aquele investidor que não está familiarizado com esta modalidade de investimento, o que são, como funcionam e quais
as vantagens e desvantagens deste instrumento de investimento, na comparação com o investimento direto em imóveis e até
mesmo com outro instrumento de Renda Variável, o mercado de ações?
FIIs são fundos de investimento, que similarmente a outros fundos, sejam de Renda Fixa, Multimercado ou de Ações, são
condomínios ou clubes de investidores, que se reúnem para investir em grupo, comprando quotas de participação. Operam sob a
coordenação de uma equipe de gestores, que faz a gestão das decisões de investimentos que são tomadas, buscando maximizar
o retorno aos investidores.
No casos dos FIIs, o investimento tem que ser, necessariamente, feito no mercado imobiliário. Basicamente, na construção e
compra de imóveis, com o objetivo de geração de renda via aluguéis, que são distribuídos aos membros do fundo, ou quotistas
através do pagamento de dividendos.
Portanto, da mesma forma que o mercado de ações, o retorno do investimento poderá vir de duas formas… pelo distribuição
periódica de dividendos e/ou por uma potencial valorização do preço das quotas, de acordo com o desempenho do fundo, assim
como devido à fatores macroeconômicos.
Há entretanto, vários tipos diferentes de Fundos Imobiliários. Atualmente, há disponíveis no Brasil, mais de 300 destes fundos.
Alguns FIIs são focados em certos tipo de imóveis, como prédios residenciais, galpões logísticos, hospitais, shopping centers,
torres de escritórios, agencias bancárias, etc. Outros são diversificados entre estas diferentes categorias. Todos os fundos que
investem em imóveis físicos, são classificados como “Fundos de Tijolo”
Há também os “Fundos de Papel” que investem em papéis e títulos ligados ao mercado imobiliário, como LCIs ou CRIs. E há
também os fundos híbridos, que investem parte do patrimônio em papéis e parte em imóveis físicos…
A maioria dos FIIs são negociados na Bolsa de Valores/B3 e comprados/vendidos como se fossem uma ação, portanto, tem um
ticker próprio e podem ser negociados utilizando o home broker da sua corretora ou banco.
O investimento mínimo costuma ser baixo, em torno de R$100, o que é uma das vantagens desta forma de investimento,
principalmente para o pequeno investidor, pois possibilita a exposição ao mercado de imóveis, sem o alto custo de adquirir um
imóvel, assim como proporciona diversificação, o que não é o caso no mercado direto de imóveis, onde, a menos que o investidor
tenha muito capital pra comprar vários imóveis diferentes, você tende a concentrar uma parte muito grande do seu patrimônio em
apenas um ou poucos imóveis…
Em 2019, a distribuição média de dividendos dos FIIs foi de 7.7% contra 4.6% dos imóveis diretos (com receita de aluguel).
O desempenho dos FIIs é monitorado através de um índice chamado IFIX, que congrega o desempenho de todos os Fundos
Imobiliários presentes no mercado. Nos últimos 5 anos, o desempenho do IFIX tem sido levemente superior ao índice iBovespa.
Por exemplo, em 2019, o IFIX retornou quase 36% (incluídos dividendos) enquanto que o iBovespa ficou em 31.6% (não incluídos
dividendos). Mas cuidado, como todo ativo de Renda Variável, há ciclos de perda. Por exemplo, em 2020, o IFIX perdeu 12.6%,
ainda assim melhor do que o iBovespa esta que está negativo 18.2% para o ano.
Eu, particularmente, não sou um grande fā do investimento no mercado imobiliário, prefiro estar diversificado no mercado de
ações, mas se você gosta do mercado imobiliário, principalmente para o pequeno e médio investidor, acredito que o investimento
via FIIs é superior ao investimento via compra direta de imóveis, pelos seguintes motivos:
1) maior possibilidade de diversificação do investimento;
2) maior facilidade de compra e venda, pois o processo é fácil e rápido, ao contrário da compra/venda de imóveis, que tende a
ser lento e burocrático;
3) com os gestores do fundo fazendo a gestão, você não precisa lidar com inquilinos ou com a manutenção dos imóveis, o que
pode, às vezes, na propriedade direta de imóveis, virar um trabalho em tempo integral, se tornando uma fonte de renda ativa e
não passiva;
4) isenção de IR nos dividendos, diferentemente dos rendimentos de aluguel no imóvel direto, que pagam 15% de IR;
5) maior liquidez do que imóveis físicos, pois se você precisar vender, a liquidez dos FIIs não é tao alta como de outros tipos de
fundos ou ações, mas ainda assim, tende a ser maior do que o imóvel fisico;
Mas lembre-se que, como em qualquer investimento de Renda Variável, há sim, riscos, que muitas vezes não são totalmente
explicados pelos agentes do mercado financeiro que estão tentando vender este produto pra você.
O desempenho varia muito, de fundo pra fundo, portanto, escolher um fundo que performará ao longo do tempo, é importante.
Lembre-se também que, como em qualquer fundo de investimento, há cobrança de taxa de administração e na maioria dos
fundos, também taxa de performance, o que pode limitar bastante o seu rendimento liquido. Fique atento às taxas cobradas pelo
fundo que você escolher.
Procure escolher um FII que esteja listado na Bolsa de Valores/B3. Estes tendem a ser mais líquidos do que os que são fechados.
Mas ainda assim, a liquidez dos FIIs é limitada. Diferentemente da maioria dos outros tipos de fundo, não há garantia de recompra
da cota caso o investidor queira sair do fundo, portanto, para vender, é necessário que outro investidor queira comprar, o que,
eventualmente, pode demorar um pouco.
Se você está interessado em adicionar FIIs a sua carteira, sugiro que você procure diversificar o seu investimento em diferentes
Fundos, de forma a proteger o seu capital e maximizar o seu retorno líquido.
Vou deixar alguns recursos adicionais aqui, pra que você possa fazer a sua pesquisa sobre quais Fundos comprar.
https://www.clubefii.com.br/
https://www.fundsexplorer.com.br/funds
Otavio Daudt
otavio@opacefinanceiro.com.br