Investimento Anjo ou Angel Investment
Em 2015, tomei a decisão de alocar mais ou menos 7-8% do meu patrimônio à época em Investimento-Anjo…
Mas antes de eu entrar nos detalhes do investimento que eu fiz e o porque, deixa eu explicar o que significa o tal de investimentoanjo…
Investimento-anjo significa você entrar de sócio de uma empresa de capital fechado, ou seja, que não está listada na bolsa de
valores. São o que gosto de chamar de investimento em ações, feito de forma privada, ao invés de feito de forma pública, na bolsa
de valores.
Normalmente, o investimento-anjo é realizado nos estágios iniciais da vida de uma empresa, na fase “start-up”, por isto o nome,
quando, em função do tamanho ainda reduzido da organização, é ainda impossível para os fundadores conseguirem financiar o
crescimento da empresa, via capital nos bancos ou via emissão de ações públicas na bolsa de valores.
É neste momento que o investidor-anjo entra na jogada. Com capital pra investir e alto apetite ao risco, estes investidores se
tornam sócios destas organizações. Dependendo do tamanho da participação adquirida, passam a fazer parte da gestão
estratégica, embora na maioria das vezes, o dia a dia da operação continue sendo tocado pelos fundadores.
Com a disseminação das plataformas de “crowd funding” se tornou muito comum que muitas start-ups captem dezenas ou até
centenas de investidores-anjo, que compram pequenas participações societárias, não têm nenhuma participação na gestão ou
estratégia, mas ficam com a possibilidade de retorno no seu investimento caso a empresa cresça e se valorize ao longo do tempo.
Investimento-anjo é uma forma de investimento de altíssimo fator risco-retorno, pois assim como o investidor-anjo pode acertar na
mosca e ter retornos de dezenas ou centenas de vezes o capital investido, não é incomum que a empresa não dê certo e o
investimento vire pó, com perda total para o investidor. A estatística é que apenas em 10% dos casos, o investidor-anjo tem algum
tipo de retorno, enquanto que em 20% há um empate, ou seja, retorno zero e em 70% dos casos há perda parcial ou total do
investimento. Mas em 1% dos casos, o retorno é de 10 ou mais vezes o capital investido…
Ou seja, alto risco… e também baixa liquidez, pois o investimento em ações privadas não apresenta a mesma possibilidade
relativamente fácil de saída como as ações públicas, listadas em bolsas de valores, ou seja, é um investimento de pouca liquidez…
A grande maioria das empresas de tecnologia do Vale do Silício passou por esta fase de capital anjo… e claro que imediatamente
pensamos na fortuna que devem ter feito os investidores anjo de empresas como Facebook, Google, Amazon, Apple e etc, mas
vamos sempre lembrar que pra cada uma deste nível, outras 99 captaram recursos e falharam…
De qualquer maneira, voltando a minha história…
Considero que, como estratégia de investimento, devemos buscar o longo-prazo, com retornos médios na casa dos 8-10% ao
ano, o que nos permite buscarmos uma estratégia de investimento com risco moderado. Pelo menos com a maior parte do nosso
patrimônio. Mas, ao mesmo tempo, considero válido que reservemos uma pequena parte do nosso patrimônio, aquela que
podemos suportar “perder” pra “brincarmos” e seguirmos estratégias de alto risco… investimento em “day-trade”, cripto moedas,
opções/derivativos, COE”s e etc se enquadram nesta categoria, na minha visão.
No meu caso, acabei optando por alocar esta “parte divertida” do meu patrimônio em investimento-anjo porque queria, naquele
momento da minha vida, além de investir procurando retorno, igualmente ter exposição e aprender um pouco sobre outros
segmentos de empresas, que não eram da minha indústria, principalmente nas áreas de inovação e tecnologia.
Comecei a pesquisar em plataformas de crowd-funding, assim como dentro do meu círculo de amigos e conhecidos, e ao longo de
muitos meses, fui selecionando e analisando várias empresas. Ao final deste processo, onde aprendi muito, acabei decidindo
investir em 5 empresas, 4 na area de tecnologia e uma no ramo de imóveis/co-working… todas elas de fora do Brasil e todas elas
entrando com uma participação acionária bastante minoritária, o que não me daria nenhuma forma de participação na gestão, mas
por outro lado nenhuma obrigação de participação no dia a dia, o que eu não tinha tempo disponível de qualquer maneira. Eu seria
o chamado “investidor-silencioso”…
Quatro anos após este processo, os resultados são os seguintes…
Três das cinco empresas não estão mais operando e é bem provável que eu tenha que assumir uma perda total do meu
investimento.
Uma delas está em situação estável, crescendo de forma lenta mas sustentável, portanto com uma boa possibilidade de gerar
algum retorno.
E a outra, cresceu bastante e já gerou retorno, pois tive a possibilidade de vender 1/3 da minha participação com uma valorização
de 6 vezes o valor investido. Mantive 2/3 da participação, com um potencial de valorização ainda maior para os próximos cinco
anos.
Ou seja, até que não posso reclamar, houve retorno positivo em pelo menos uma das empresas.
Ao decidir usar esta estratégia, eu tinha plena consciência de que havia uma grande possibilidade de perda total do valor investido,
por isto que limitei meu investimento a menos do que 10% do meu capital que era o que eu estava preparado pra perder, se este
fosse o caso…
Se você também se considera preparado pra um investimento de alto risco, decida uma parcela do seu patrimônio que você pode
se dar ao luxo de perder e procure opções de alto fator risco-retorno.
Se investimento-anjo é uma idéia que lhe agrada, há varias plataformas de crowd-funding disponíveis no Brasil e muitas mais no
exterior. Deixei links para algumas delas no final deste artigo…
https://www.angelinvestmentnetwork.us/
https://www.kickstarter.com/
https://www.kickante.com.br/
https://www.catarse.me/
Otavio Daudt