Meu breve retorno ao mundo corporativo depois de ter atingido a Independência Financeira
e o que aprendi com a experiencia!
Quem me conhece ou tem acompanhado meus posts, sabe um pouco da minha história, mas nunca é demais dar uma
lembrada rápida.
Em 2006, recebi uma oferta para viver e trabalhar na China, fazendo parte do time executivo de uma empresa americana
do segmento fashion, bolsas e sapatos. Fiquei por lá e na mesma empresa por 12 anos, um período fantástico e
inesquecível, de muito aprendizado e crescimento. Em 2018, tecnicamente, atingi a Independência Financeira e
juntamente com a minha mulher e meus dois filhos, tomamos a decisão de deixar a China, deixar a empresa e viajar
pelo mundo, tirando um ano sabático, desenvolvendo novas habilidades e avaliando os próximos passos da nossa vida.
Naquele momento, em 2018, eu era um executivo de destaque na hierarquia global da empresa e tinha um pacote de
remuneração muito vantajoso, proporcional à esta posição. Por ter, ao longo destes 12 anos na Ásia, vivido um ou dois
degraus abaixo, em termos de consumo e estilo de vida, poupado e investido da maneira correta, atingindo a
independência financeira, abri mão desta remuneração, sem nem precisar pensar duas vezes.
Nosso ano sabático transcorreu entre 2018 e 2019 e foi absolutamente incrível. Viajamos pelo mundo e passamos muito
tempo juntos enquanto família. Na metade de 2019, nos estabelecemos em Sapiranga, no Vale do Sinos, Rio Grande do
Sul, não somente por ser nossa cidade natal e onde nossos pais vivem, mas também por ser uma cidade de baixo
custo de vida, em termos globais, o que potencializa nossa condição de independência financeira.
Eu particularmente não tinha mais a intenção de voltar para o mundo corporativo nem para ramo do calçado, estava
focado em desenvolver outras atividades, o canal Independência Financeira 168 sendo uma delas.
Mas naquele momento, apareceu uma proposta para eu voltar pra China, para trabalhar numa empresa concorrente da
qual eu trabalhava antes. Primeiramente para um projeto de consultoria de seis meses e depois para um contrato
executivo definitivo. E com um pacote igual ou superior ao que tinha na outra empresa... confesso que fiquei tentado e
conversando com a minha esposa decidimos que eu iria para estes seis meses, para fazer uma tentativa enquanto que
eles ficariam no Brasil.
Fechei os seis meses agora em Janeiro e mesmo com a empresa me oferecendo um contrato definitivo para ficar, não
aceitei e decidi retornar para o Brasil.
Ou seja, pela segunda vez em pouco mais de um ano, abri mão de uma remuneração extremamente vantajosa.
A minha decisão foi baseada em dois fatores que identifiquei claramente nestes seis meses de volta à China e ao
mundo corporativo, que se somam a um terceiro que já havia aprendido anteriormente.
Primeiro, viver na China não combina mais com os meus princípios e valores. Todo país, cidade ou até bairro tem suas
vantagens e desvantagens, mas pelo menos pelos próximos anos, a China não é o lugar que eu quero chamar de lar. A
vida numa sociedade não democrática, com controle e censura do acesso à informação, a poluição e o desrespeito ao
meio ambiente, somados aos problemas de se viver num grande centro urbano, não fazem mais parte do que quero pra
minha vida, de momento.
Segundo, minha paciência com o mundo corporativo se esgotou, não tenho mais tolerância para com a política,
burocracia e a estupidez generalizada que ocorre numa corporação típica.
Estes dois fatores ficaram muito claros pra mim nestes últimos seis meses.
Mas um terceiro fator, que também foi importante na minha tomada de decisão, aprendido ao longo do ano de 2018…
ganhar mais dinheiro do que eu já tenho, não vai me fazer mais feliz. Ponto! Ao aprendermos a sermos felizes vivendo
um padrão de vida relativamente simples, minha familia e eu nos libertamos da necessidade de acumular cada vez mais
dinheiro e poder. Temos o suficiente pra vivermos bem e acumularmos mais do que já temos, não está correlacionado
com mais felicidade.
Sendo assim, estou de volta e trabalhando em vários projetos e possibilidades, além de me dedicando às minhas
paixões, que são a corrida de longa distância e a minha família e amigos.
Durante 22 anos, a maior parte da minha vida adulta, o trabalho foi o centro integral da minha vida. Pelo menos pelos
próximos anos, não mais o será. Estou no auge da minha energia e capacidade, e evidentemente continuarei dedicando
parte do meu tempo à atividades profissionais, mas somente aquelas que eu achar interessante, e de forma nenhuma,
este será o centro da minha vida.
Algo que somente posso me dar ao luxo de fazer pois conquistei a Independência Financeira e agora, o jogo é jogado
de acordo com as minhas regras. Isto não tem preço e faz com que tenha valido a pena, todo o esforço feito ao longo
dos últimos 22 anos!
Espero que, ao compartilhar minha história, possa estar de alguma maneira, te inspirando a buscar a Independência
Financeira.
Otavio Daudt