A Importância de Investir no Exterior e como fazer isto
Antes considerado um tabu ou algo que apenas um seleto grupo de privilegiados e endinheirados poderiam fazer, ou ainda, algo
destinado a criminosos, o investimento no exterior, a partir do Brasil, tem se tornado algo cada vez mais simples e regulamentado,
ou seja, seguro.
Em primeiros lugar, é importante entender o valor da diversificação em qualquer carteira de investimento. No momento em que
você investe toda a sua carteira em um país somente, especialmente um país com economia emergente e vida política instável
como o Brasil, você está se expondo a um risco maior do que o necessário. Chamado de “country bias” ou parcialidade e
favorecimento em relação ao próprio pais, em termos de alocação de investimentos, é um fenômeno comum, notado em um
grande percentual de investidores de diferentes partes do mundo.
Em segundo lugar, especialmente em termos de Renda Variável/Bolsa de Valores, ainda estamos engatinhando aqui no Brasil, na
comparação com mercados mais maduros, como as bolsas de NY, Londres ou Hong Kong. Pra termos uma idéia, na B3, Bolsa de
Valores do Brasil, são negociadas ações de 400 empresas que têm um valor de mercado combinado de aproximadamente U$ 900
milhões… enquanto isto, na Bolsa de NY, são negociadas 3.000 empresas com valor combinado de mercado de aproximadamente
U$ 30 trilhões!
Ou seja, ao investir somente no Brasil, você estará não apenas limitando o seu horizonte mas também expondo o seu patrimônio
de forma total às variações da economia nacional. Que tendem a ser violentas, diga-se de passagem.
Além disto, ao investir no exterior, você estará expondo o seu patrimônio a moedas internacionais como o dólar americano, que é a
moeda mais forte e valorizada do mundo, e uma grande proteção contra a inflação que pode ocorrer em reais, assim como a
instabilidade cambial do real frente ao dólar. Num ciclo como o dos útimos seis meses, onde o real se desvalorizou quase 40%
frente ao dólar, quem tem parte do seu patrimônio em moeda estrangeira minimizou bastante as perdas. Claro que num ciclo de
valorização do real, o fenômeno se inverte, mas mesmo assim, em geral vale a pena…
Existem pelo menos quatro opções, atualmente, para que um investidor ou investidora residente no Brasil, exponha-se à mercados
internacionais, três delas sem que você precise efetivamente enviar dinheiro ao exterior…
1) Fundos de Investimento no Exterior - FIEX, são Fundos de Investimento, alguns de Renda Fixa, outros de Renda Variável e
outros Multimercados, que investem uma parte ou a totalidade do patrimônio no exterior. Procure no seu banco ou corretora,
dentre os Fundos de Investimento disponíveis, quais se enquadram nesta categoria.
2) BDR’s - funcionam como se fossem ações de empresas internacionais listadas na Bolsa do Brasil (tecnicamente, é um pouco
diferente disto, mas não vou entrar em detalhes)… na pratica, é como se voce estivesse comprando ações de empresas como
Apple, Microsoft ou Berkshire Hathaway, mas sem sair do Brasil e via B3… o único detalhe é que esta opção somente está
disponível para os chamados “investidores qualificados” ou seja, com patrimônio maior do que R$ 1 milhão;
3) ETF S&P500 - atualmente, há diversos fundos ETF’s disponíveis na B3 (IVVB11, SPXI11 entre outros) que replicam o índice
S&P500, ou seja, o investidor compra ações das 500 maiores empresas listadas na Bolsa de NY, a um custo muito baixo
(0.24-0.27% ao ano). Considero esta uma opção excelente, pois sem ter que enviar dinheiro ao exterior, podemos nos expor a
algumas das empresas mais sólidas do planeta, por um custo muito baixo…Lembrando que, 50% da a receita combinada das
500 empresas que compõem o índice S&P500, provem de fora dos EUA, ou seja, ao comprar S&P500 o investidor estará
adquirindo uma exposição global e não apenas à economia dos Estados Unidos;
4) Conta em corretora estrangeira - antes um procedimento complicado e caro, hoje em dia, este processo de enviar recursos pra
corretoras não baseadas no Brasil, ficou mais fácil e simples. Algumas delas, inclusive, oferecem plataformas em português pra
facilitar… o processo envolve o envio de recursos para fora do Brasil (com pagamento de algumas taxas e 0.38% de IOF), mas
uma conta como esta lhe proporciona acesso a um mundo de opções em termos de investimentos, que de um modo geral, têm
taxas de administração mais baixas do que as opções nacionais… por exemplo o fundo ETF VOO da Vanguard, que segue o
índice S&P500, portanto igual aos dois fundos disponíveis na B3, cobra taxa de administração de apenas 0.04% ao ano, ou
seja, muito mais baixo…
De um modo geral, para o investidor interessado em diversificar o patrimônio no exterior em Renda Fixa, a opção 1 é a melhor,
procure um FIEX de Renda Fixa que invista parte ou a totalidade em títulos do exterior…
Para o investidor mais interessado em Renda Variável, sem duvida a opção 3, ETFs na B3 é a mais simples e adequada.
E para o investidor mais maduro e experiente, abrir uma conta em corretora internacional pode ser uma boa opção.
De um modo geral, aconselho bastante a diversificação em investimentos em moeda estrangeira e em ativos baseados fora do
Brasil como estratégia de acumulação de capital no longo prazo, visando a Independência Financeira.
Otavio Daudt