Hora de Investir em Ouro?
Em tempos de incerteza no mercado, como o que estamos vivendo agora, os que defendem o investimento em ouro, passam a ter
espaço e relevância, ressurgindo do esquecimento a que estavam relegados durante períodos de expansão e positivos no mercado
de ações.
Mas afinal de contas, enquanto investidor, eu deveria alocar dedicar algum espaço ao ouro no meu portfolio de investimentos?
A resposta como sempre é: DEPENDE…
Vamos aos fatos…
De um modo geral, o valor do ouro tem um correlação inversa à maioria dos outros ativos financeiros…
O que isto quer dizer?
Significa que, na maioria das vezes, quando o mercado de açōes cai, o ouro sobe, e vice-versa. Vale o mesmo para o mercado de
títulos de renda fixa e para o mercado de imóveis também em relaçāo ao ouro, ou seja, são descorrelacionados.
Ou seja, possuir ouro no seu portfólio é uma forma de suavizar as oscilações naturais do mercado… especialmente num período
como o que estamos vivendo atualmente, de turbulência, os investidores que estão expostos a ouro como investimento, estão
tendo uma oscilação negativa menor do que os que estão apenas em ações e títulos, ou até estão com variação positiva se a
exposição a ouro for bastante grande.
Outro aspecto importante a ser considerado é que o ouro é uma proteção contra a inflação, já que em períodos inflacionários, o
preço do ouro costuma acompanhar a tendência de alta da taxa de inflação, servindo, portanto, potencialmente, como uma forma
de “seguro contra a inflação”
Entretanto, antes que você se anime, esta suavização da oscilação vem com um “custo de oportunidade”… e o custo é que, a
longo prazo, 10 anos ou mais, baseado em dados históricos, o retorno sobre ouro tende a ser inferior a ações ou mesmo títulos de
renda fixa. No período entre 2008-2018, o ouro teve uma valorização anualizada de 3.27% contra um rendimento atualizado do
índice S&P500 de 10.36%… Entretanto, pra ser justo, se olharmos o período entre 2002-2008, o ouro superou o S&P500…
Em 2019, o ouro subiu 19% e em 2020, até agora, mais 15.5% em 2020, que é claramente um reflexo do momento de instabilidade
econômica que estamos vivendo…
Ray Dalio, um dos mais respeitados investidores do mercado, dono do Bridgewater, o maior fundo de investimento do mundo, em
patrimônio, defende, desde o ano passado, que investidores aloquem uma parte do seu patrimônio em ouro, em função da
tendencia de juros muito baixos e forte atuação de bancos centrais, gerando inflação. E olha que esta previsão foi feita num artigo
em Junho de 2019, muitos antes da crise pela pandemia de Covid-19…
Ao contrário do que muitos podem pensar, ter ouro em seu portfólio de investimentos não necessariamente significa comprar ouro
fisicamente… há inúmeras formas virtuais de se investir em ouro, que obviamente são muito mais fáceis e seguras do que comprar
e possuir barrar de ouro.
Entre elas, você pode comprar ações de empresas da area de mineração, que se tendem a ver seu valor subindo em momentos de
alta do ouro, assim como tendem a distribuir bons dividendos em momentos como este. Esta compra pode ser feita comprando
acoes individuais das empresas, ou então via fundos mútuos ou ETF’s direcionados a refletir o preço do ouro… Assim como, você
pode comprar contratos futuros de ouro, negociados pelos bancos e corretoras.
Portanto, tentando responder à pergunta do inicio do artigo…
Particularmente, não invisto em ouro por ser favorável à uma filosofia de investimento simplificada e de fácil operação/controle,
motivo pelo qual prefiro manter minha porção de Renda Fixa/Caixa em Títulos Públicos (Tesouro BRA e EUA) e minha porção de
renda variável em 4 fundos ETF.
Entretanto, reconheço a lógica de alocar uma parte do portfólio de investimentos ao ouro, por ser um ativo não correlacionado à
ações e renda fixa, como uma forma de “suavizar a corrida” e mínima o risco e a volatilidade total da carteira.
Entretanto, não podemos esquecer que o ouro sofreu um rally nos últimos 18 meses, o que provavelmente o coloca num momento
desfavorável para compra…
Se fosse entrar no mercado de ouro neste momento, utilizaria uma estratégia de “dollar cost average”, ou seja, entraria em
parcelas, pelos próximos 12 meses, pra minimizar o risco…
Otavio Daudt