Como a crise atual impacta os seus investimentos e o que fazer agora?
Nas últimas semanas, temos observados os efeitos devastadores da epidemia de Covid-19, que não apenas tem trazido mudanças
profundas ao nosso dia a dia, mas também à economia mundial e aos mercados, como consequência.
Neste momento, temos aproximadamente 50% da população mundial em estado de “lockdown”, seja parcial ou total, o que causa
uma queda abrupta e intensa na demanda da maioria dos serviços e produtos assim como uma queda na produção de bens. Com
exceção dos chamados serviços essenciais, que são a cadeia de alimentação, serviços médicos e utilidades publicas, todos os
outros setores estão enfrentando um momento de paralisação.
Evidentemente que o efeito desta situação na economia mundial, será avassalador. Um grande numero de empresas, tendo em
vista a queda abrupta e inesperada de receita, terá que demitir pessoas para manter os custos sob controle e já sabemos de
antemão que muitas organizações não terão caixa ou crédito suficientes pra enfrentar esta situação e serão forçadas a,
lamentavelmente, fechar as portas.
Estimativas de economistas falam em uma redução de crescimento do PIB mundial para 2020 em pelo menos 50%, ou seja, uma
queda dos previstos 3.5% para 1.75%, o que jogará a maioria dos países do mundo em uma recessão. A China, que enfrentou
esta situação de lockdown mais cedo do que a maioria dos países do ocidente, experimentou em Fevereiro, uma contração da
atividade econômica da ordem de 20%. Logicamente, os mercados de renda variável, mundo afora, estão vivendo semanas de
intensa volatilidade e queda acentuada.
Embora o que estejamos enfrentando, uma epidemia mundial desta escala, seja algo relativamente inédito, a crise econômica
causada pelo Covid-19 não é algo totalmente inesperado ou inédito. Ao longo dos últimos 100 anos, o mundo enfrentou diversos
períodos de contração econômica, onde o desemprego explodiu e a atividade econômica se retraiu. A última delas em 2007-2008.
A economia funciona em ciclos de expansão e contração. Desde a recuperação a partir da crise de 2008, mundialmente falando,
experimentamos mais ou menos 12 anos de crescimento, o que caracteriza este período como o período de expansão mais longo
dos últimos 100 anos.
A boa noticia é que toda crise é seguida por um momento de expansão e recuperação econômica. E não há motivos pra acharmos
que desta vez será diferente. Evidentemente que haverá um dano econômico profundo e, neste caso especifico, infelizmente
muitas vidas serão perdidas para a Covid-19, mas nos recuperaremos.
Do ponto de vista das suas finanças pessoais e investimentos, se você fez o seu tema de casa, o mais importante é manter a
calma, se agarrar aos fundamentos e seguir a estratégia.
Como defensor do uso de instrumentos de Renda Variável e do mercado de ações como fonte primária de acumulação de capital
no longo prazo, e alguém que mantém 70% do meu patrimônio no mercado de ações, confesso que as últimas semanas foram, no
mínimo, interessantes. De forma ampla, a maioria dos mercados mundiais caíram em torno de 35% em relação ao inicio de
Fevereiro, o que caracteriza este momento como um “bear market” (queda de 20% ou mais em relação a pico). Não somente a
queda acumulada foi expressiva, mas a volatilidade que vimos nas ultimas semanas foi extremamente elevada. Vimos dias em que
o iBovespa, por exemplo, caiu 13% pra no outro dia subir 5% e num terceiro dia cair novamente 10%…
Por hora, independentemente de você estar na tribo dos que defendem o lockdown total, lockdown parcial ou nenhum lockdown,
reconheça que a Covid-19 representa um risco à sua saude e à sua vida e siga as orientações das autoridades, fique em casa a
medida do possível e mantenha bons hábitos de higiene.
Juntos, vamos superar mais este desafio.
Otavio Daudt