Value Investing x Growth Investing
Ao decidir investir no mercado de ações, especialmente dentro de um princípio de ‘buy and hold” ou seja, visando a acumulação
de capital no longo prazo, duas estratégias principais despontam como opções… “growth investing” e “value investing”, ou, numa
tradução livre, investimento em ações com alto potencial de crescimento ou em empresas com potencial de valor, ou seja, que
estão com preço abaixo do valor-justo…
Explicando…
VALUE INVESTING
O Value Investing significa resumidamente, que o investidor vai procurar comprar ações de empresas sólidas financeiramente e
com um razoável potencial de crescimento, mas que estão com um preço desvalorizado em relação ao seu real valor… isto pode
acontecer por diversos motivos… as vezes, todo o mercado está em queda e isto desvaloriza o preço de todas as ações,
indiscriminadamente, até daquelas que são “boas empresas”… a exemplo do que que ocorreu em bolsas por todo o mundo, em
Março deste ano, em virtude do inicio da pandemia de Covid-19. Ou, as vezes a empresa passa por um problema específico,
algum tipo de escândalo público, por exemplo, que derruba o preço da sua ação… como exemplo, temos a Petrobras em
2016-2017, que mesmo na época, sendo uma empresa sólida do ponto de vista de produto, tecnologia e balanços financeiros,
sofreu uma desvalorização recorde em virtude dos problemas de corrupção apontados pela Operação Lava-Jato.
Assim como o consumidor normalmente procura por promoções, onde produtos de qualidade estão sendo vendidos abaixo do
preço normal, no value investing, o investidor procura por “liquidações”, ou seja, ações de boas empresas que por um motivo ou
outro, estão sendo negociadas abaixo do valor justo-intrínseco de mercado.
Determinar o valor justo de mercado de uma empresa é a base da chamada Análise Fundamentalista, estratégia de compra/venda
de ações onde analistas especializados buscam determinar o valor intrínseco de mercado da empresa, baseado em indicadores
financeiros, tecnologia, qualidade/experiência dos gestores e etc e compará-lo com o valor atual da ação. Toda a vez que o valor
intrínseco está indicando ser bastante maior do que o valor de mercado, os analistas emitem aos investidores a recomendação de
“comprar”, pois a tendência é o preço daquela ação subir… Toda vez que o oposto ocorrer, ou seja, o valor intrínseco, determinado
pelos analistas, for menor do que o valor de mercado da ação, o sinal de “vender” é emitido, sinalizando aos investidores que
possuem aquela posição, de que pode ser hora de se desfazer daquela ação, pois ela tende a cair ao longo do tempo…
O mais famoso teórico deste estilo de investimento foi o investidor e autor Benjamin Graham, que escreveu o livro “Investidor
Inteligente”, onde o conceito de value investing é explicado em detalhes… leitura obrigatória para aqueles que se interessam por
este estilo de investimento… Warren Buffet, o mega investidor americano se diz um grande seguidor dos princípios de Graham e
um seguidor da estratégia de value investing.
De um modo geral, ações que se podem ser classificadas como “value” são de empresas grandes e estabelecidas, ou seja, o risco
é relativamente baixo, desde que o investimento seja feito de forma diversificada, mas também o potencial de retorno é limitado…
Entre 2014-2017, eu pessoalmente, utilizei bastante o conceito de “Value Investing” nos meus investimentos. Fui gradativamente
montando uma carteira de ações, listadas nas bolsas de NY, utilizando as recomendações (pagas) de um site de análise
fundamentalista. Ao longo deste tempo, fui comprando de acordo com estas recomendações, chegando a ter 20 ações na
carteira… o resultado foi bastante satisfatório, mas a partir de 2017, fui gradativamente me desfazendo destas posições,
favorecendo o investimento em ações via ETF’s (confira aqui neste artigo) por acreditar que ETF’s tendem a me gerar um
rendimento maior a longo prazo, além de se adequarem melhor ao meu estilo de vida atual e estratégia de investimento, que
valoriza um investimento mais passivo e que gere menos manutenção e atenção da minha parte, para que eu tenha tempo de me
dedicar a outras áreas da minha vida que considero prioritárias no momento… atualmente, a totalidade da porção de Renda
Variável do meu patrimônio está alocada em fundos ETF.
GROWTH INVESTING
Diferentemente do Value Investing, a estratégia focada em Growth, ou crescimento, indica que o investidor deve montar uma
carteira composta por empresas com grande potencial de crescimento futuro, mesmo que o preço delas já esteja super valorizado,
ou mesmo que os fundamentos financeiros de momento, especialmente receita e lucros, não sejam tão fortes assim. Ou seja, o
investidor não vai olhar o presente da empresa e sim apostar no futuro. Normalmente, são empresas pequenas e médias, com
alguma tecnologia diferenciada e que tenha alto potencial de crescimento acelerado… De um modo geral, todas as poderosas
empresas de tecnologia atuais, Google, Microsoft, Apple, Amazon, Netflix e etc, já passaram por fases, no passado, onde eram
consideradas empresas Growth… não tinham ainda grandes receitas ou lucros (aliás, a maioria deles não tinha lucro nenhum) mas
tinham uma tecnologia que parecia promissora, embora ainda não totalmente estabelecida. Evidentemente, que os investidores
que apostaram neste futuro, naquela época, viram seu capital investido multiplicar-se muitas vezes.
Claro que, em termos de relação risco-retorno, estamos falando de alto potencial de retorno mas também alto risco… é bem
provável que apenas 1 em cada 100 empresas neste estágio acabem confirmando todo o potencial de retorno. As outras 99 ficam
pelo caminho, gerando ganhos reduzidos ou até perdas para o investidor.
Mas “growth investing” também pode ocorrer em relação a empresas grandes, que tenham eventualmente, o potencial de uma
grande melhoria ou inovação. Por exemplo, estamos vendo um grande boom no preço das ações das principais empresas
farmacêuticas, que estão envolvidas com as possibilidades mais promissoras de uma vacina contra a Covid-19… O preço da
maioria delas já está sobre-valorizado, mas, enquanto investidor, se você utilizar a estratégia “growth” você acredita na
possibilidade de a vacina ser descoberta por estas empresas e ainda assim você decide apostar e compra a ação.
GROWTH x VALUE, qual a melhor estratégia?
Como na maioria das vezes, minha resposta é: depende…
Ambas são estratégias de longo prazo, mas a estratégia “growth” tende a ter uma relação risco-retorno mais elevada, enquanto
que a “value” tende a ter um risco-retorno mais limitado, mas ainda assim, carregando todo o nível de risco que qualquer
investimento em Renda Variável/Ações traz.
Eu particularmente acredito que um modelo híbrido entre estas duas estratégias é o mais adequado, com alta diversificação. Eu,
pessoalmente, invisto em ETF’s amplos, de indices como iBovespa ou S&P500, que tende a ser composto de empresas grandes e
portanto se encaixando mais na estratégia “value” enquanto que também invisto em fundos ETF’s “small caps” que tende a ser
mais uma estratégia “Growth”.
Mas além de ETF’s você pode investir em ações growth ou value via Fundos de Ações, que normalmente, carregam no nome a
palavra value ou growth, ou então, você pode usar o caminho do “stock picking” e escolher as suas próprias ações dentro de uma
análise fundamentalista… neste caso, a menos que você seja um profissional da área, sugiro que você conte com as
recomendações de analistas, serviço oferecido de forma gratuita aos clientes por muitas das corretoras, ou de forma paga por
sites independentes, o que eu considero a melhor opção.
Atingi a Independência Financeira aos 42 anos e posso ajudar você a conhecer mais sobre este princípio de vida… com a
liberdade que a Independência Financeira me proporciona, tenho me dedicado ao projeto de gerar conteúdo sobre este tema, de
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Otavio Daudt