Os Cinco Aspectos a Serem Considerados na Tomada de Decisão sobre um Investimento
Como costumo dizer e escrever, com frequência, em termos de Finanças Pessoais e Investimentos, não existe investimento certo
ou errado que se aplique de forma linear à todos os investidores ou investidoras. Toda oportunidade de investimento é mais
adequada ou menos adequada de acordo com o perfil de cada investidor, principalmente no que tange ao horizonte de tempo e
grau de tolerância ao risco e à volatilidade. Um investidor com baixo grau de tolerância à volatilidade, combinado com um
horizonte de tempo curto, não deveria entrar no mercado de ações, por exemplo, por ser uma oportunidade de investimento que
tende a dar melhores retornos no longo prazo e tende a ser bastante volátil, ou seja, o valor do patrimônio investido tende a ser
instável e a oscilar positiva e negativamente, as vezes de forma violenta.
Mas de qualquer maneira, independentemente do perfil da investidora, há pelo menos cinco vetores ou características em cada
investimento, que todo investidor deveria analisar e levar em consideração, antes de decidir entrar…
Sāo eles a Relação Risco-Retorno, a Volatilidade, a Liquidez, as Taxas & Impostos e a Moeda… vamos a uma breve explicação de
cada um dos itens…
1. Relação Risco-Retorno - todo investimento tende a obedecer uma lógica, expressa na seguinte frase… Quanto maior a
possibilidade de ganho ou perda, maior o risco envolvido e vice-versa… ou seja, ao aceitar correr mais risco, o investidor
deveria ser automaticamente recompensado com uma possibilidade maior de retorno, que vem acompanhada, evidentemente,
de uma chance maior de perda. Assim como, ao abrir mão de uma possibilidade maior de ganho/perda, a investidora deveria
ser premiada com um risco menor…
2. Volatilidade - significa o quanto instável o valor do seu patrimônio investido se comportará longo do período em que ficar
investido… alguns instrumentos de investimentos, principalmente dentro da categoria chamada de Renda Fixa, tendem a
apresentar baixa volatilidade, ou seja, não variam ou variam pouco em termos de valor do patrimônio… enquanto que
instrumentos de Renda Variável, como as ações, por exemplo, tendem a oscilar bastante ao longo do tempo, o que pode levar
o investidor com baixa tolerância à volatilidade a se sentir desconfortável com o investimento… de um modo geral, quanto
maior for o horizonte de tempo, mais minimizada fica a volatilidade, ou seja, se o seu horizonte de tempo é longo, a volatilidade
pode ser algo que você não precise se preocupar tanto, enquanto que se o horizonte de tempo for curto, dai sim a volatilidade
passar a ser algo importante de ser evitado…
3. Liquidez - o quanto difícil e demorado será para que a investidora possa transformar o seu patrimônio investido em caixa, em
caso de necessidade… um exemplo típico é o mercado de imóveis. Há basicamente duas formas de se investir neste mercado
via compra/venda direta de imóveis, ou via Fundos de Investimento Imobiliário, os chamados FIIs… investimento direto em
imóveis é considerado um instrumento de baixa liquidez, pois na maioria dos casos, vender um imóvel é um processo lento e
difícil, enquanto que FII’s são considerados de alta liquidez, pois na maioria das vezes, se o investidor quiser transformar o
patrimônio investido em caixa, basta vender as quotas do fundo e normalmente será um processo fácil e que levará apenas
alguns dias… baixa liquidez deveria sempre ser acompanhada de um “prêmio” em termos de rentabilidade… por exemplo
CDB’s de curto prazo, 30 dias ou menos, normalmente oferecem taxas de juros menores do que CDB’s de longo prazo, que
podem chegar a mais de 720 dias, ou seja, seu dinheiro ficará inacessível por mais de 2 anos, mas para que isto seja atraente,
as taxas de juros oferecidas pelos bancos tendem a ser substancialmente maiores do que nos CDB’s de curto prazo…
4. Taxas & Impostos - buscar a maximização do retorno liquido sobre qualquer investimento, é dos princípios básicos da
educação financeira e significa focar no retorno do investimentos após taxas de administração, impostos e inflação e não
somente tomar decisões baseadas na taxa de retorno bruta… de um modo geral, os bancos e corretoras cobram taxas muito
altas na maioria dos instrumentos de investimentos, o que, no longo prazo, fazem uma diferença muito grande no tamanho do
seu patrimônio. E, na maioria das vezes, estas taxas estão intencionalmente escondidas e não são explicadas de forma clara.
5. Moeda - e finalmente, especialmente se você está investindo internacionalmente, é importante que você analise a moeda na
qual o seu patrimônio estará indexado ao longo do tempo, pois os ciclos de valorização/desvalorização das moedas na
comparação umas às outras, afetará o tamanho do seu patrimônio. Por exemplo, estamos vivendo um ciclo de desvalorização
do Real frente às outras moedas internacionais, portanto, os brasileiros que tem o Real como sua moeda base e tem a maioria
do seu custo de vida ligado a esta moeda, e que tem investimentos em outras moedas, viram seu patrimônio valorizar em
função disto, assim como, em momentos de valorização do Real frente a outras moedas, como ocorreu entre 2002-2008,
tendem a ver seu patrimônio diminuir em Reais.
De um modo geral, estas são as cinco variáveis que devem ser analisadas na tomada de decisão em relação à entrada em
qualquer investimento.
Lembrando que o portfolio de todo investidor deveria ser composto por três partes principais… a parte do Fundo de Emergência,
com recursos suficientes pra manter as despesas por um período entre 6-24 meses, que deveria ser mantido em instrumentos de
investimento com alta liquidez e baixa volatilidade. Após o Fundo de Emergência estar formado, vem o pote da Independência
Financeira, onde o investidor decide, de acordo com o seu perfil, a melhor alocação entre ativos de Renda Fixa e Renda Variável.
Eu, no momento, mantenho um Fundo de Emergência de 24 meses e meu pote da Independência Financeira está alocado em 65%
Renda Variável (Fundos ETF de Ações/Índice) e 35% em Renda Fixa.
Otavio Daudt