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Quais Fundos ETF’s estão disponíveis no Brasil?

@opacefinanceiro

Num artigo anterior no blog expliquei as vantagens de se investir em Fundos de Índice/ETF’s.

ETF = Exchanged Traded Funds, ou seja, fundos que são negociados como ações na Bolsa de Valores. Por este motivo, em

relação a fundos de ações tradicionais, ETF’s não somente tem mais liquidez e facilidade de comprar e vender via Home Broker,

mas também um custo de manutenção/taxa de administração muito mais baixos do que fundos tradicionais.

Neste artigo, vou focar em explorar as diversas opções de Fundos ETF’s disponíveis no Brasil, assim como explicar um pouco os

detalhes de cada fundo e como efetivamente, investir em ETF’s.

Antes, gostaria de dizer que, no meu portfolio atual, tenho aproximadamente 75% do meu patrimônio investido em ações/renda

variável. Desta porção de 75%, a totalidade está investida em Fundos de Índice/ETF, ou seja, não possuo nenhuma ação individual

ou Fundo de Ações tradicional.

Revelo isto pra mostrar o quanto “skin in the game” tenho neste instrumento de investimento e o quanto acredito nele como a

melhor forma de acumulação de capital de longo prazo, para o investidor médio, pela alta diversificação e baixo custo de

manutenção.

Atualmente há 16 fundos ETF disponíveis no mercado brasileiro/Bolsa de São Paulo(B3). Em comparação, no mercado dos EUA há

5 mil fundos ETF disponíveis, mas o mercado brasileiro de capitais ainda está na sua infância e chegaremos lá um dia.

ETF’s são uma tendência mundial crescente em termos de investimentos. Em 2007, os ativos totais investidos em ETF’s somavam

531 milhões de dólares, globalmente. Ao final de 2018, este número havia crescido para 3.5 bilhões.

Todos os fundos listados na B3 requerem um investimento mínimo de 10 quotas. O valor atual por quota, nos diferentes fundos,

varia entre R$ 36,76 a R$ 195.27 ou seja, o investimento mínimo fica entre R$360 e R$1.950, nada de assustador (valores por

quota de Janeiro/2020).

As taxas de administração de fundos ETF variam entre 0.05% a 0.69% ao ano, ou seja, muito mais baixas do que as taxas que os

fundos de ações ou multimercado tradicionais cobram, que normalmente estão na casa dos 1.5-3% ao ano, mais a taxa de

carregamento/entrada entre 1-4% e ainda alguns cobram taxa de performance, que pode ser na faixa dos 20% sobre a

performance que exceder um índice benchmark de referência, normalmente o índice Ibovespa. Como já expliquei em diversos

posts anteriores, dentro da filosofia de investimento/acumulação de capital que eu sigo, prestar atenção nos custos de

manutenção e levar isto em conta na tomada de decisão, é fator fundamental e faz muita diferença no longo prazo, horizonte de 10

anos ou mais. As taxas de administração baixas é o motivo pelo qual, raramente, o seu gerente de conta ou assessor de

investimentos da corretora vai lhe oferecer um ETF… é uma modalidade de investimento muito menos lucrativa para as instituições

financeiras…

Além da taxa de administração anual, a única despesa adicional ao investir em ETFs é a taxa de corretagem que a sua corretora ou

banco cobra, mas como defendo a filosofia de investimento de longo prazo e “buy and hold” a taxa de corretagem passa a ser

uma despesa extremamente reduzida na diluição ao longo dos anos.

Os 16 fundos disponíveis são geridos por 5 gestoras diferentes, são elas a Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco,

Itaú a Black Rock. Lembrando, ETF’s são fundos, listados na Bolsa de Valores, que você compra/vende como se fossem ações

normais, ou seja, você não precisa ser correntista no gestor do fundo pra poder comprar… basta ter acesso a Bolsa de Valores via

home broker online, que é disponibilizado pelo seu banco ou corretora.

11 índices diferentes são seguidos por estes 16 fundos, desde os amplos Ibovespa ou S&P500 até indices específicos e setoriais

como o IFNC, que reflete apenas 19 ações do setor financeiro ou o ISE ou Índice de Sustentabilidade Empresarial, com as 40

empresas mais sustentáveis do Brasil.

Preparei uma planilha com as principais informações de todos os 16 fundos, colocadas lado a lado, pra que você possa ter a

informação resumida e de fácil visualização. Você pode visualizar a planilha clicando aqui…

De qualquer maneira, fiz também o resumo abaixo que serve de referência.

ETF’s que trilham o Índice Ibovespa - há quatro ETF’s no mercado que trilham o índice Ibovespa principal (75 maiores empresas

listadas na Bolsa Brasileira-B3). O fundo do Bradesco (BOVB11) é o que apresenta a menor taxa de administração com 0.20% ao

ano, enquanto que o iShares da Black Rock tem o mais alto custo com 0.54% ao ano; Dois outros fundos trilham o índice IBr-X 50

e 100, com as respectivas 50 e 100 maiores empresas da B3. Meu destaque seria o fundo IT IBRx-50 do Itaú (ticker PIBB11), com

taxa de administração anual de apenas 0.05%, disparado o fundo ETF com custo mais baixo do mercado brasileiro!

ETF’s que acompanham o índice da bolsa americana S&P500 - são dois produtos disponíveis no mercado brasileiro, que trilham o

Índice SP500 com as 500 maiores empresas listadas nas bolsas de NY. Itaú SP500 (SPXI11) tem custo de 0.27% ao ano enquanto

que Black Rock iShares SP500 (IVVB11) tem custo de 0.24%. Defendo fortemente a diversificação do seu patrimônio e

investimento no exterior, não somente no Brasil. Estes dois fundos são excelentes formas de se expor de maneira diversificada ao

mercado internacional a um custo relativamente baixo. Alem do que, ao comprar estes fundos, voce estará contratando alguns dos

mais famosos CEO’s do mundo para trabalhar pra você, como Mark Zuckerberg do Facebook, Tim Cook da Apple ou Satya Nadela

da Microsoft…

ETF’s que trilham indices de distribuição de dividendos - há dois fundos que seguem índices formados por empresas que são boas

pagadoras de dividendos. São eles o BB SP Dividendos Brasil (BBSD11) que segue o Índice SP Dividendos Brasil, com ações das

40 empresas que mais pagam dividendos da B3. Outro fundo que segue empresas com alto pagamento de dividendos é o Itaú

Dividendos (DIVO11), que segue o índice IDIV com as 34 ações mais pagadoras de dividendos. A diferença entre o IDIV e o Índice

SP Dividendos Brasil é pequena e decorre da diferença de metodologia e critérios utilizados pelas duas entidades que elaboram o

índice, na inclusão e manutenção das empresas que formam o índice.

ETF’s que trilham pequenas empresas - o iShares Small Cap da Black Rock é o único em território nacional que trilha o índice

SMLL formado por 80 ações de empresas que não fazem parte do índice iBovespa, ou seja, empresas menores, mas com grande

potencial de crescimento.

ETF’s “Sustentáveis” - seguindo a tendência mundial em direção à sustentabilidade, há três índices na B3 que incluem empresas

que tenham praticas de gestão sustentáveis… São eles o ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial) com 40 empresas, o IGC

(Índice de Governança Corporativa) com 80 empresas e o ICO2 que congrega 30 empresas que se comprometeram a manter seu

nível de emissão de CO2 sob controle.

ETF’s Setoriais - e finalmente, há dois fundos que congregam empresas de determinado segmento… são eles IFNC (Índice

Financeiro) que tem 19 acoes de empresas do setor financeiro, assim como o IMAT com 11 ações do setor de materiais básicos e

construção civil.

Como você pode ver, mesmo com apenas 16 opções, o mercado brasileiro já está bastante diversificado em termos de ETF’s,

desde indices amplos como o iBovespa quanto setoriais específicos como o IMAT.

Investindo em qualquer destes índices, você estará bem diversificado. Portanto, qualquer um deles é boa opção, de acordo com a

sua estratégia e princípios de investimento.

Entretanto, acredito ser importante que você se exponha a pelo menos três categorias em termos de indices… um índice amplo

como iBovespa ou IBr-X, o índice de Small Caps pra estar exposto ao potencial crescimento das empresas pequenas e um índice

internacional, pra ter exposição ao exterior e não somente ao Brasil. Talvez 50% SP500, 25% Small Caps e 25% Ibovespa/IBr-X…

mas fica a seu critério…

Para entrar em qualquer destes fundos, basta utilizar o home broker do seu banco ou corretora e comprar os fundos como se

fossem ações, ou seja, extremamente pratico e fácil.

Otavio Daudt

[email protected]