Fundos de Índice - entenda porquê Warren Buffet deixou instruções para que 90% da sua fortuna fosse investida neste instrumento, após a sua morte…
Fundos de Índice são uma alternativa de investimento passivo (que não requer que você se envolva continuamente), de longo
prazo, que alia relativamente baixo risco com potencialmente altos retornos líquidos acumulados. O que mais você precisaria, ao
mirar a Independência Financeira?
Warren Buffet, o maior e mais respeitado investidor do mundo, é um grande fã deste instrumento e deixou instruções bem claras
para que, após a sua morte, tendo em vista a geração de renda para a sua familia e descendentes, 90% do seu patrimônio fosse
investido em Fundos de Índice. Quando um investidor deste quilate, que atende sob o apelido de “Oráculo de Omaha” nos dá um
conselho destes, o que nós, simples mortais, temos que fazer, é no mínimo, estudar sobre o assunto…
Mas o que são então, os tais Fundos de Índice e porquê acredito (juntamente com Warren Buffet, não leve a mal, kkk) que este
instrumento deveria ser uma grande parte da sua carteira de investimentos, visando o longo prazo.
Fundos de Índice são fundos, normalmente de ações, mas podendo ser também formados por títulos públicos. Neste post, vamos
nos concentrar em ações. Também chamados de Fundos Passivamente Administrados. Foram criados na década de 70, pelo
investidor americano John Bogle com a empresa chamada Vanguard.
Primeiramente, é importante que exploremos um poucos os índices.
Por exemplo, quando vemos uma notícia de que o índice S&P500, balizador das Bolsas de Valores de Nova York, subiu 1% num
determinado dia, estamos diante do fato de que as 500 maiores ações listadas na bolsa de NY, se movimentaram, coletivamente e
em proporção, positivamente 1%. Como estas 500 empresas têm um peso, de aproximadamente 75% do total de volume e
capitalização da bolsa americana, ao vermos o número da movimentação do índice, estamos vendo o movimento de pelos menos
3/4 do total da bolsa, O índice S&P500 foi criado em 1923. Atualmente, fazem parte das lista empresas conhecidas e globais como
Apple, Amazon, Facebook, Microsoft, Coca-Cola, Walt Disney e etc. O peso atribuído à cada empresa, na composição do índice, é
determinado com base no valor de mercado de cada organização. Por exemplo, a Microsoft tem peso 4.1% no índice, e assim
sucessivamente. Quando você compra, digamos, R$ 100 de um fundo que segue o índice S&P500, R$ 4.10 serão destinados a
comprar ações da Microsoft, e assim para todas as empresas na lista, proporcionalmente. Ou seja, ao investir num fundo SP500,
você estará comprando ações de, não uma, mas 500 empresas diferentes, e entre as maiores e mais sólidas corporações do
planeta. Alta diversificação, baixo risco e ótimo potencial de retorno, com baixo custo de manutenção.
A mesma lógica se aplica, exatamente, ao Índice da Bolsa Brasileira, o chamado Ibovespa… A única diferença é que, como o
volume negociado na Bovespa é muito menor do que NY, o índice Bovespa é composto por apenas 54 empresas, mas ainda
assim, as maiores e mais solidas do pais, como Itaú/Unibanco, Ambev, Vale, Petrobras, Bradesco e etc.
O histórico de retornos anualizados do índice SP500, nos últimos 90 anos, é de 9.5% ao ano, enquanto que do índice Bovespa é
de 9% desde 1999.
Em termos de Fundos de Investimento existem, basicamente, dois tipos de fundo, os Ativamente Administrados (Fundos Mútuos) e
os Passivamente Administrados,. Os fundos ativos são gerenciados, como diz a palavra, de forma ativa, ou seja, os gestores do
fundo estão permanentemente comprando e vendendo posições, buscando a melhor rentabilidade para o cotista do fundo. O que
requer, evidentemente, um time de profissionais numeroso e de alta qualidade, que fica constantemente fazendo análises de
mercado, que servem como base para a tomada de decisão. Obviamente, isto gera um custo de manutenção alto, que é cobrado
do investidor.
Por outro lado, um fundo passivo, também conhecidos como ETF’s (Exchanged Traded Funds) como um Fundo Índice Ibovespa,
por exemplo, não compra e vende posições constantemente. O trabalho do fundo é simplesmente alocar os seus recursos, toda a
vez que eles entram, proporcionalmente a composição de ações do índice Ibovespa… requer um time pequeno e na maior parte
das vezes, o trabalho é 100% automatizado por softwares. Ou seja, baixo custo para os quotistas.
É claro que o seu gerente de banco ou assessor de corretora vai argumentar que os fundos ativos são mais caros, mas por outro
lado, geram retornos maiores do que os fundos passivos. Pois bem, isto não é verdade. Mais de 200 diferentes estudos mostram
que, no período entre 2001-2016, apenas 5% dos fundos ativos de ações tiveram uma performance líquida melhor do que o índice
SP500… ou seja, ao investir num fundo ativo, durante este período, você teria uma chance de apenas 5% de ter obtido um retorno
maior do que se você tivesse colocado seu dinheiro num fundo de índice.
Outro argumento que você vai ouvir bastante, no mercado financeiro, é de que a taxas de manutenção são pequenas e que as
diferenças entre os diversos produtos são insignificantes e que não farão a diferença na sua vida financeira. Pois bem, num
horizonte de curto prazo, realmente farão uma diferença pouco significante, mas num horizonte de longo prazo, a diferença será
grande… vamos ao exemplo abaixo…
Digamos que duas amigas, Maria e Rosa, receberam um bônus de R$ 10.000, no inicio da sua vida profissional e o aplicaram em
fundos de ações, mantendo o recurso pelo prazo de 35 anos e obtendo uma remuneração bruta de 7% ao ano. Entretanto, Rosa
escolheu um fundo de ações ativo, ou Fundo Mútuo, que cobrou uma taxa de entrada, ou de carregamento, de 4% e uma taxa
anual de 1.2%. Maria, por outro lado, escolheu um fundo passivo, que cobrou 0.25% de entrada e 0.18% ao ano de taxa de
manutenção… analisando os percentuais, não parece que haverá uma grade diferença, mas o milagre dos juros compostos faz
com que esta pequena diferença percentual se potencialize através dos anos… ao final de 35 anos, Rosa obteve um valor final de
R$ 28.100,00 enquanto Maria levou pra casa R$ 98.300,00… não sei pra vocês, mas pra mim, esta diferença é extremamente
significativa.
Atualmente o investidor brasileiro tem, via Bovespa/B3, em torno de 20 Fundos de Índice, ou ETF’s disponíveis, incluindo alguns
que reproduzem o S&P500, sendo um excelente veiculo de diversificação e exposição à ações internacionais. Você pode conferir
aqui a lista completa dos fundos, com informações gerais e tarifas de manutenção.
Em termos de carteira de renda variável, minha sugestão é de que você faça uma composição diversificada, entre Fundos
Ibovespa, Fundo SP500 e Ibovespa Small Cap (Índice de ações de empresas menores, que não fazem parte do índice Ibovespa),
talvez na proporção 40-40-20… desta forma, você estará se expondo a um grande numero de ações, tanto de empresas
internacionais quanto brasileiras, grandes e pequenas, diversificando seu risco e potencializando seu retorno.
Se você quer saber mais sobre o mundo dos Fundos de Indices/ETF’s, os links abaixo oferecem informações adicionais. Como
tudo, há argumentos a favor e contra… mas não deixe de explorar esta alternativa. Embora não seja adequado para todos os perfis
de investidor, acredito fortemente, que Fundos de Índice são uma excelente opção pra investimento de longo prazo, pelo baixo
risco e boa possibilidade de retorno, sob uma filosofia de investimento passivo, que não requer grande investimento de tempo e
energia e com custo de manutenção baixo.
Lembrando que fundos de índice são instrumentos de renda variável e como o nome diz, sujeitos à volatilidade de mercado e sem
garantia de retornos. Dependendo do seu perfil de investidor e horizonte de tempo, uma parte maior ou menor do sua carteira de
investimentos, deve ser destinada à renda variável.
Outro aspecto importante é que minhas recomendações são absolutamente independentes. Se você, após estudar o assunto,
decidir investir em Fundos de Índice, não vou estar recolhendo nenhum tipo de comissão. Considero esta uma posição privilegiada
pois vou dividir meu conhecimento com você com base no que é o seu melhor interesse e não no que mais me beneficie do ponto
de vista financeiro.
https://www.blackrock.com/br/recursos/educacao/centro-de-formacao-etf/o-que-e-um-etf
https://blog.toroinvestimentos.com.br/etf-bovespa-o-que-e-etfs
https://aprenda.guiainvest.com.br/6-argumentos-para-investir-em-etfs/
Otavio Daudt