Porque decidi cursar um dos MBA’s mais prestigiosos do mundo
O ano era 2013... eu tinha 36 anos, estava há 9 anos morando na China, trabalhando como executivo de uma multinacional
americana da indústria fashion, fabricaçāo de calcados e bolsas. Tinha trabalhado duro nos anos anteriores e havia experimentado
uma trajetória bastante ascendente na empresa e estava perto de chegar ao cargo de diretor geral da operação na Ásia, uma
unidade de negócios com U$ 500mi de faturamento anual e 400 funcionários.
Meu segundo filho tinha recém nascido e eu já tinha na bagagem dois diplomas de curso superior, realizados no Brazil antes de ir
pra China, o de graduação em administração de empresas e um pós graduação na renomada FGV, em gestão empresarial.
Ou seja, eu tinha tudo pra, de alguma forma, me acomodar e relaxar um pouco, curtindo minha família e a progressão na carreira e
na empresa que naturalmente aconteceria nos próximos anos.
Mas este não era o caso. Eu sentia dentro de mim uma certa inquietação e uma sede por novos aprendizados e desafios. Algo que
me levasse a um outro nível de conhecimento e experiência na área de gestão. Minha intuição me dizia que fazer um novo MBA,
desta vez no exterior, internacional e de classe global, seria a resposta.
Em conversando com a minha esposa, decidimos que a melhor época seria naquele momento, pois nossos filhos eram pequenos e
quanto mais eu esperasse, mais difícil ficaria.
Comecei a pesquisar opções e imediatamente o programa de MBA Executivo da HKUST/Kellogg me chamou a atenção, por figurar
no topo da maioria dos rankings de MBA a nível mundial. Ensinado primariamente em Hong Kong, mas com várias viagens e aulas
na Kellogg em Chicago e em outros campus pelo mundo, era um programa realmente global e que alcançava o critério que eu
havia definido... o programa é uma parceria entre a HKUST (Hong Kong University of Science and Technology) e a escola de
negócios Kellogg da Northwestern University de Chicago, EUA, uma das mais prestigiosas escolas de negócios do mundo,
considerada uma das “sete irmās” as sete melhores escolas de negócio dos EUA, ao lado de pesos pesados como Harvard, MIT,
Stanford, Columbia, entre outras,…
Mas havia dois desafios grandes... em primeiro lugar, o custo extremamente elevado... em segundo lugar, a dedicação de tempo e
energia que demandaria um curso intenso como este. Seriam, ao longo de 18 meses, 22 finais de semana de aula em Hong Kong,
o que pra mim envolvia uma viagem de 3 horas, 6 horas ida e volta a partir de casa, e mais 4 viagens internacionais ao longo do
programa, para aulas nos EUA, Europa e outros países da Ásia.
Decidimos que o grande investimento de dinheiro, tempo e energia, valeria a pena.
Entrei no processo de aplicação, compareci a uma entrevista presencial na universidade e fui aceito... o programa procura manter
um alto nível de diversidade nas turmas, e o fato de eu ser o primeiro brasileiro a aplicar em 17 anos de programa, certamente
pesou a meu favor. Tive também que fazer a prova TOEFL de proficiência em Inglês, já que minha graduação havia sido em
português.
Iniciei o curso em Janeiro de 2014, embarcando numa das experiências mais transformadoras da minha vida. Minha turma de 50
alunos, tinha 22 diferentes nacionalidades e metade dos colegas viajava de avião até HK, todos os finais de semana de aula, vindo
de lugares distantes como Cingapura, Indonésia, Filipinas, Oriente Médio e até Itália e França. Costumo dizer que meu tempo de
convivência com estes colegas foi uma janela para o mundo.
Os 18 meses passaram voando e foram de muito esforço. Além dos dois finais de semana por mês, os trabalhos e estudos
consumiam uma grande parte do meu tempo durante a semana. E dois meses depois de iniciar o programa, fui promovido a diretor
geral da empresa e minha responsabilidade aumentou muito.
Ao longo do programa, comecei a sentir umas arritmias cardíacas, que felizmente foram diagnosticadas como benignas, e foram
embora com o tempo, mas que são um sinal claro da quantidade de stress e esforço que este período exigiu de mim...
É claro que aprendi muito, do ponto de vista acadêmico, mas os dois pontos principais na jornada foram o quanto aprendi a
gerenciar meu tempo e o quanto tive que me desenvolver do ponto de vista social...
De uma hora pra outra, adicionei em torno de 40 horas mensais a uma agenda já tomada por compromissos profissionais e
familiares, e fui forçado a aprender a ser obsessivamente produtivo com o meu tempo... aprendizado que permanece até hoje. Me
considero uma pessoa focada e de alta produtividade e nível de organização, muito em função do aprendizado daqueles 18 meses.
E a convivência com pessoas de variadas culturas e geografias, numa língua que não é a minha materna, exigiu de mim,
naturalmente um introvertido, um grande esforço que gerou um aprendizado muito grande.
Ao fim de 18 meses, tinha em minhas mãos um diploma dos mais prestigiosos do mundo, mas este foi apenas um dos tantos
benefícios. Ganhei diversos amigos, com os quais mantenho contato até hoje, além de ter adquirido uma auto confiança e um
conhecimento que segue comigo até hoje, e que foi fundamental na minha trajetória rumo a independência financeira e me deu a
coragem e auto-confiança pra mudar o rumo da minha vida.
Investir na sua carreira e no seu conhecimento é o investimento com o maior retorno que pode existir. Aprendi isto por experiência
própria e levo esta mensagem para os quatro cantos.
Otavio Daudt