Os Erros Financeiros que eu cometi!
Ter atingido a Independência Financeira aos 41 anos de idade e estar escrevendo este blog, subentende, aos que me conhecem
pouco, que sempre fui organizado e focado financeiramente… Grande engano…
Já tive minha fase “negra” em termos de finanças pessoais e já passei por um momento na minha vida onde minhas despesas
eram maiores do que minha renda e fiz muito uso de rotativo do cartão de credito, cheque especial, cheque pré-datado e outros,
pra poder equilibrar as contas…
Além disto, já caí em quase todas as armadilhas que o mercado financeiro aplica, desde titulo de capitalização à consórcio,
passando por comprar eletrodomésticos em 24 parcelas e financiar um imóvel… até mesmo cai num “investimento” que deixará
meu capital bloqueado e indisponível por 25 anos… este detalhe estava naquelas letrinhas de rodapé, que eu não li com atenção…
acho que só não entrei em pirâmides financeiras porque ninguém veio me oferecer!!
O que quero mostrar contando a minha história é de que ninguém é perfeito e de que todos cometemos erros, mas que com
educação financeira, é possível mudar a nossa vida de patamar… não tenho pudores nem reservas em revelar minhas fraquezas
imperfeições e erros cometidos… Aprendi muito com todos eles e sou grato que eles ocorreram!
Vamos à breve historia então… tive a sorte de nascer numa família de boas condições financeiras, o que não me preveniu de
começar a trabalhar desde muito cedo… aos 16 anos, comecei a dar aulas de tênis, o que logo evoluiu e virou um pequeno
negócio. Na época, este negócio me gerava uma renda que, se não era nada de espetacular, era bem razoável. Morava com os
meus pais, na época, portanto, a minha despesa era muito reduzida e sobrava uma grande parte do que ganhava… Entretanto, aos
23 anos de idade, um namoro de alguns anos terminou e voltei para o “mercado”… obviamente, neste momento, solteiro, minhas
despesas começaram a aumentar geometricamente. Dirigir aquele carro mil cilindradas não era mais adequado ao meu novo
momento, então troquei de carro… os gastos com as saídas às baladas, jantas, roupas e finais de semana na praia, foram
crescendo, sem que a minha renda estivesse no mesmo ritmo de crescimento… Eu simplesmente não conseguia controlar a minha
tentação de consumo. O ápice do descontrole e da falta de planejamento veio quando decidi que já era hora de sair da casa dos
meus pais e morar sozinho… Sem ter condições financeiras pra isto, aluguei um apartamento e tive que gastar bastante na compra
dos móveis e utensílios…
Isto imediatamente, me colocou numa situação financeira extremamente difícil. A minha renda não era suficiente pra sustentar o
meu estilo de vida e aquele primeiro ano morando sozinho foi inteiramente passado usando crédito pra me equilibrar, seja cheque
especial, rotativo do cartão de crédito, cheques pre-datados e compras em prestações. Ao final daquele ano terrível, me dei conta
de algo tinha que mudar radicalmente na minha vida. Cortei agressivamente meus custos e adequei meu estilo de vida, com a
ajuda da minha hoje esposa e companheira, que tinha entrado na minha vida pra me salvar (kkkk)… Ao final do segundo ano, já
tinha conseguido me equilibrar e zerar as dividas… mais um ano se passou e ao final do terceiro ano, minhas despesas eram
menores do que minha renda, já tinha aprendido a viver de acordo e já tinha um fundo de emergência… e começava a montar um
patrimônio pra investir. Paralelamente, minha renda tinha aumentado e eu começava minha busca obsessiva por informação e
educação financeira, especialmente sobre investimentos…
Veio então o convite pra trabalhar no exterior e claro que isto mudou tudo de patamar. Os 14 anos passados na Ásia me levaram à
Independência Financeira, mas isto somente aconteceu porque eu tinha construído uma base, em termos de “mindset” que me fez,
a medida que eu ia crescendo na empresa que trabalhava e minha remuneração ia junto, não crescer minhas despesas e estilo de
vida na mesma proporção. Controlei minhas despesas de forma a elas nunca ultrapassarem 50% da minha renda e investi o
excedente, prioritariamente em Renda Variável, multiplicando o capital… ao mesmo tempo, especialmente nos últimos anos,
juntamente com a minha família, aprendemos a viver uma vida simples e sermos felizes e realizados com um custo de vida
relativamente baixo… a soma de todos estes fatores, me levou ao ponto de independência financeira, no qual me encontro hoje,
onde tenho a invejável liberdade de escolha em relação ao meu estilo de vida e atividade profissional.
Portanto, se você se encontra no estágio em que eu estava há 15 anos atrás, saiba que é perfeitamente possível sair desta
situação e virar o jogo… virar este jogo requer uma formula que não é fácil nem indolor de ser implementada, requer uma certa
dose de esforço, mas é extremamente simples. Corte suas despesas e adeque seu estilo de vida de modo que suas despesas
nunca ultrapassem 50% da sua renda. Aprenda a viver de forma simples e a ser feliz desta maneira, mantendo seu custo de vida
baixo. Invista na sua educação, trabalhe duro e aumente sua renda. Eduque-se financeiramente e invista consistentemente.
Preferencialmente, visando o longo prazo, em instrumentos diversificados de Renda Variável, de baixo custo. Assim que esta
engrenagem estiver montada, ela vai trabalhar por você e em alguns anos, você vai chegar num ponto onde a remuneração do seu
capital investido é suficiente pra manter seu custo de vida… quando isto acontecer, parabéns, você conquistou a Independência
Financeira e virou senhor absoluto do seu destino… sua vida não pertence mais ao seu chefe, aos seus clientes ou ao governo…
você dá as cartas…
Espero, ao contar minha historia, ter inspirado você de alguma maneira…
Otavio Daudt