Tesouro Direto - porquê o considero a melhor opção de Renda Fixa no momento, juntamente com CDBs e LCI/LCAs?
Dependendo do seu horizonte de tempo, uma parte maior ou menor do seu portfólio de investimentos deve ser alocada em
instrumentos de Renda Fixa. Se o seu horizonte de tempo é superior a 10 anos e você ainda é relativamente jovem, acredito que
não mais do que 10% do seu portfólio deveria estar em Renda Fixa, que deveria ser o seu Fundo de Emergência. Se o seu
horizonte de tempo é mais curto do que 10 anos e você já está mais avançado em termos de idade, e consequentemente a sua
capacidade de obter renda ativa já está em declínio, um percentual mais alto, entre 30-80%, deveria estar em Renda Fixa, dependo
das suas variáveis especificas.
De qualquer maneira, seja qual for a sua situação, na mais agressiva das hipóteses, pelo menos o seu Fundo de Emergência deve
estar alocado em instrumentos de Renda Fixa, que tenham baixa volatilidade e liquidez imediata.
Num horizonte de queda das taxas de juros, com a SELIC no seu menor patamar de todos os tempos, a Renda Fixa vai perdendo
cada vez mais capacidade de gerar retornos, forçando os investidores a serem um pouco mais agressivos em termos de alocação
em Renda Variável.
O programa Tesouro Direto foi lançado em 2002, pelo Governo Federal, com o objetivo de dar ao investidor pessoa física, a
oportunidade de comprar títulos do governo de forma direta, e com um barreira de entrada bastante reduzida (atualmente o
investimento mínimo é de R$30). O programa está em franco crescimento, tendo atingido, no ano passado, a marca de 1 milhão de
investidores individuais.
Ao comprar títulos do tesouro, você basicamente estará emprestando dinheiro para o Governo Federal, que se compromete a
devolver este valor a você, dentro de um prazo pré-estabelecido (entre 2 e 30 anos), acrescido de juros. Entretanto, o programa
permite flexibilidade, pois o Governo Federal assume o compromisso de recompra do titulo, caso você queira vender antes do
vencimento, com valor a mercado (já explico esta parte)…
Em termos de instrumentos de Renda Fixa, algumas das principais opções no mercado são, além do Tesouro Direto, CDBs,
Fundos de Renda Fixa, LCI/LCA e Debentures/Títulos Privados. Não considero a Caderneta de Poupança como instrumento de
Renda Fixa e sim como um golpe e uma picaretagem, portanto não elaborarei sobre ela aqui neste artigo!
Todos os diferentes instrumentos de renda fixa têm as suas vantagens e desvantagens, mas a análise sempre deve ser feita
considerando 5 esferas: rentabilidade bruta, liquidez, risco de crédito, taxas e impostos. Segue uma breve comparação do Tesouro
Direto com as outras cinco opções:
Rentabilidade Bruta - O Tesouro Direto tem uma rentabilidade bruta, após impostos, comparável a maioria das outras opções, em
torno de 100% do CDI;
Liquidez - aqui mora uma das maiores vantagens do Tesouro Direto… como regra do programa, ao vender um titulo, o Governo
Federal tem o compromisso de recompra do papel caso o investidor queira se desfazer, com prazo D+1(um dia útil), mas com valor
de marcação a mercado (explicarei isto em breve)… nenhuma das outras opções de Renda Fixa apresenta esta garantia de
recompra por parte do emissor do titulo.
Risco de Crédito - é bem verdade que o recurso aplicado no Tesouro Direto não está coberto pelo FGC (Fundo Garantidor de
Crédito, que garante até R$250 mil por CPF em caso de falência da instituição emissora)… mas não vamos esquecer que o titulo
está sendo emitido pelo Governo Federal, que embora não seja uma garantia total (governos, sim, dão calote nos títulos as vezes,
como acabou de acontecer na Argentina) todos sabemos que há um risco muito pequeno de acontecer, na atualidade econômica
do Brasil… CDBs, LCI/LCAs estão cobertas pelo FGC… a opção com maior risco de crédito são os Títulos Privados, também
chamados de debêntures, que são títulos emitidos por corporações privadas e portanto, com um risco relativamente alto de
default.
Impostos - todos os instrumentos acima são sujeitos à mesma tabela regressiva de IR (22.5% a 15%), com exceção das LCI/LCA
que não pagam IR, o que tem sido questionado pela atual equipe econômica do Governo Federal, havendo a chance deste
“incentivo” fiscal ser retirado em breve.
Taxas - finalmente, em termos de taxas de administração cobradas pelas instituições financeiras, o Tesouro Direto tem taxas
substancialmente mais baixas do que os Fundos de Renda Fixa. Um investimento no Tesouro Direto é normalmente isento de taxas
pelo banco ou corretora e paga somente 0.20% ao ano de taxa de custodia à B3/Bolsa de Valores, que faz a gestão dos títulos.
Um fundo de Renda Fixa, muitas vezes cobra taxas de administração absurdas, de até 1.5% ao ano pra comprar, prioritariamente,
os mesmos títulos do Governo Federal que você pode comprar de forma direta. Razão pela qual, dificilmente o seu gerente de
conta ou assessor de investimentos na corretora vai tentar lhe vender Tesouro Direto, optando, ao invés, por insistir que você
compre Fundos de Renda Fixa, pois a remuneração do banco/corretora na venda do TD é basicamente zero enquanto que
vendendo-lhe o fundo, será muito maior pela existência da gorda taxa de administração. CDBs e LCI/LCA não cobram taxa de
administração, portanto, sendo também duas boas opções.
Em termos de Tesouro Direto, resumidamente, há duas esferas que você precisa entender. A primeira esfera é a taxa de juros/
remuneração que voce vai receber em troca de estar emprestando para o Governo Federal. Esta taxa normalmente é expressa em
juros/ano e pode ser pré-fixada ou pós-fixada (já explico esta parte)! A segunda esfera é o valor de mercado do titulo, que varia de
acordo com a oferta-procura. Se você mantiver a posse do titulo até o vencimento do contrato, você receberá 100% do valor de
compra do titulo acrescido dos juros. Portanto, neste caso, o valor a mercado não fará nenhuma diferença pra você. Entretanto, se
você por algum motivo, decidir vender o titulo antes do vencimento, este será retornado pelo Governo Federal a você com valor de
marcação a mercado, ou seja, pelo valor que o mercado determinar naquele dia, acrescido dos juros do período, é claro. Este valor
pode ser superior ao que você pagou, situação na qual você terá um “lucro” na operação além do valor recebido de juros, ou
inferior ao valor pago, na qual você terá tido um “prejuízo”. Em relação a isto, o resumo é: se você mantiver a posse do titulo até o
vencimento do contrato, você receba 100% do valor do titulo, mais juros… mas, dependendo das condições de mercado, você
pode vender o titulo antes do vencimento, com lucro.
Não deixa de ser parecido com um investimento em ações, na bolsa de valores. Entretanto, historicamente, a volatilidade no valor
dos títulos do governo federal é relativamente baixa e muito inferior a media de volatilidade das ações negociadas na B3.
Pra finalizar, existem basicamente 3 tipos diferentes de títulos do Tesouro disponíveis no mercado… são os seguintes:
Tesouro Selic - como o nome diz, acompanha a variação da Taxa Selic… ou seja, é pós-fixado… são indicados pra investimento de
curto prazo/fundo de emergência, pois é o titulo do Tesouro com menos volatilidade, ou seja, se você precisar vender antes do
tempo, é extremamente provável que o valor do titulo no dia será bastante parecido com o valor pelo qual você comprou…
Tesouro Pre-fixado - a taxa de juros/ano é pre-fixada e conhecida no momento da compra do titulo… indicado para um horizonte
de queda nas taxas de juros (como agora, por exemplo), pois neste cenário, a cada anúncio de queda da taxa, tende a ocorrer uma
valorização no preço/valor do título, pois, por ser pré-fixado, fica com um taxa de juros maior do que o mercado. Entretanto, o
contrário também verdadeiro, num ambiente de subida das taxas de juros, tende a perder valor e manter o seu capital remunerado
com uma taxa abaixo do mercado.
Tesouro IPCA - indexado ao índice de inflação, é expresso na forma IPCA + xx%, ou seja, o titulo vai remunerar o IPCA mais uma
taxa fixa de juros… portanto, é um titulo híbrido entre pré e pós-fixado. Indicado pra um horizonte de alta da inflação, como um
mecanismo de proteção do poder de compra do seu capital contra um ambiente inflacionário…
Além das três variações acima, você também pode escolher entre os juros serem pagos a você de forma semestral ou de forma
acumulada ao final do período, ou na venda. Deixar os juros acumularem para o final do período vai te proporcionar uma
remuneração maior, em função do efeito multiplicador dos juros compostos… entretanto, se você investir no Tesouro Direto com o
objetivo de gerar renda para pagar suas despesas regulares, prefira a modalidade com pagamento de Juros Semestrais.
Se você optar por investir no Tesouro Direto, sugiro manter seu fundo de emergência, ou boa parte dele, no Tesouro Selic, ou seja,
se você precisar vender antes do vencimento, em caso de emergência, é muito improvável que você tenha que assumir algum
prejuízo.
Pra valores acima do seu fundo de emergência, visando apreciação de capital para o longo prazo, sugiro fazer uma composição
50-50 entre Pre-fixado e IPCA+, estratégia que vai deixar você numa boa posição seja qual for o cenário das taxas de juros e de
inflação.
Pra comprar Tesouro Direto, você precisa acessar a plataforma do Tesouro Direto, online, via seu banco ou corretora. Na minha
experiência, o processo de compra e/ou venda de títulos é normalmente rápido e simples, o que é um atrativo adicional, na minha
opinião.
Por todos os fatores acima, tenho uma certa preferência pelo Tesouro Direto e toda a minha carteira de Renda Fixa, que está
investida dentro do Brasil, está alocada em Tesouro Direto. Entretanto, considero os CDBs e os LCI/LCA boas opções também, se
você prefere diversificar sua Renda Fixa com diferentes instrumentos. Em termos de rentabilidade liquida (após impostos e taxas),
estão muito parecidos, a diferença é insignificante. A única diferença sendo a liquidez, alguns CDBs e LCI/LCAs normalmente não
podem ser resgatados antes do vencimento, portanto, preste a atenção nesta parte. Qualquer investimento que não lhe
proporciona liquidez deve lhe pagar um “prêmio” por isto, em forma de remuneração superior a um que seja líquido.
Lembrando, se você decidir investir no Tesouro Direto, eu não vou ganhar absolutamente nada com isto… Estou aqui pra lhe ajudar
e dividir o meu pouco conhecimento, diferentemente de muitos outros blogs e portais, que estão atrelados a instituições
financeiras…
Otavio Daudt