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Tendência de alta na Inflação! É algo pra nos preocuparmos e como isto afeta os seus investimentos?

@opacefinanceiro

A inflação é um fenômeno relativamente recente na historia da humanidade e ocorre, basicamente, quando há um desequilíbrio

entre a oferta e a demanda em relação a um determinado produto ou serviço, fazendo com que o preço suba. É a básica “lei da

oferta e procura” ou lei do mercado…

Historicamente, a inflação media, a nível mundial é na casa dos 3% ao ano.

Houve períodos, entretanto, de inflação fora de controle, fenômeno este que recebe o nome de hiper-inflação, podendo chegar,

and vezes a mais de 80% ao mês.

No Século XX, principalmente no período entre guerras, vários países europeus enfrentram hiper-inflação.

Na América do Sul e Central, durante as décadas de 70 e 80 do último século, também houve bastante hiper-inflação. Em grande

parte causada por politicas econômicas equivocadas, adotadas pelos governos da época.

A inflação, no Brasil, finalmente começou a ser domada a partir do Plano Real de 1994. Eu não sou tão velho assim, mas ainda me

lembro de como as coisas funcionavam. Com a realidade de inflação baixa our temos hoje, fica até difícil entender como vivíamos

num ambiente onde os preços eram reajustados todos os dias…

Enfim, felizmente, a inflação atualmente no Brasil está na casa dos 2-4% ao ano, nos últimos anos, o que está alinhado com o que

acontece na maior parte do resto do mundo.

Entretanto, nas últimas semanas, o tema inflação voltou a ser noticia, em virtude da alta recente dos alimentos e produtos de

limpeza/higiene. Será que isto é algo que deveríamos nos preocupar?

Vamos por partes…

Em primeiro lugar, é importante entendermos os fatores que estão por trás desta tendência de alta.

Há basicamente três fatores que estão pressionando os preços nestas categorias.

O primeiro deles é a massiva injeção de dinheiro no mercado, feita pelo Governo Federal em função da pandemia de Covid-19,

através dos múltiplos programas de proteção de renda e auxilio emergencial. É uma medida correta do ponto de vista macroeconômico e social, alinhada com o que a maioria dos governos fizeram mundo afora, mas evidentemente, trata-se de uma injeção

“artificial” de liquidez no mercado, o que provoca aumento de demanda, sem necessariamente a oferta de produtos e serviços

acompanhar, o que gera uma tendência de aumento dos preços, principalmente nos itens básicos como alimentos, higiene e

limpeza…

O segundo fator é a própria pandemia e as restrições de operação que a maioria das empresas enfrentou em virtude das medidas

de lock down e distanciamento social que ocorreram pelo pais afora, principalmente no segundo trimestre do ano. Isto fez com que

a produção em geral diminuísse, diminuindo a oferta de produtos e serviços, consequentemente gerando um desequilíbrio na

relação oferta-procura, gerando tendência de alta nos preços.

E por último, a desvalorização do Real frente ao Dólar também puxa os preços pra cima… isto ocorre por dois motivos… em

primeiro lugar, uma moeda nacional desvalorizada torna os produtos importados mais caros. Como vivemos numa economia

globalizada, vários dos insumos utilizados pela indústria nacional, pra fabricar os produtos vendidos no mercado doméstico são

importados, consequentemente pressionando os custos. Assim como o preço das commodities, como petróleo, metais ou

alimentos, são regulados internacionalmente em dólar, fazendo com que os preços, mesmo dentro do mercado nacional, subam.

Além disto, com o Real desvalorizado, os produtos nacionais ficam com preços mais competitivos no exterior, favorecendo as

exportações. Aquelas empresas que têm a flexibilidade de produzir para o mercado interno e para exportação, acabam optando

por exportar, pois as margens de lucro ficam mais atraentes, fazendo com que haja uma diminuição da oferta de produtos no

mercado nacional.

Todos estes fatores contribuem pra pressionar os preços pra cima, neste momento.

Deveríamos, portanto, estar preocupados com a volta da hiper-inflação?

Eu particularmente não acredito nesta hipótese. Não apenas no Brasil, mas mundialmente, os governos e bancos centrais

aprenderam, ao longo das ultimas décadas, a controlar a inflação, fazendo uso de instrumentos como o cambio, a taxa de juros e a

gestão da liquidez dos mercados pra controlarem qualquer ameaça de inflação. Além disto, sabemos que a retomada econômica,

infelizmente será lenta, mantendo a demanda/procura num nível não muito elevado pelos próximos meses…

Entretanto, enquanto investidor, é sempre importante que você entenda o fenômeno da inflação e procure proteger o seu

patrimônio em relação a uma eventual alta inflacionaria, mesmo que esta possibilidade seja remota.

Há diversas formas de proteger os seus investimentos da inflação, tanto com instrumentos de Renda Fixa quanto de Renda

Variável.

Na Renda Fixa, títulos públicos ou privados que são vinculados ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo , principal índice

inflacionário do mercado brasileiro) são uma forma de proteção. Como exemplos, temos o Tesouro Direto IPCA+, ou títulos

privados como qualquer CDB, LCA ou LCI que seja vinculado ao IPCA.

Na Renda Variável, há duas formas principais de proteger o seu capital em relação à inflação.

A primeira é o mercado imobiliário, já que tanto o preço dos imóveis quanto o dos aluguéis tende a acompanhar a inflação. Claro

que, pra contar com esta proteção, o investidor deve estar investido neste mercado de forma diversificada. Com apenas alguns

poucos imóveis no portfólio, todos com localização semelhante, o risco de fatores locais e específicos trabalharem contra você são

muito grandes. Uma forma de investir no mercado imobiliário de forma diversificada são os Fundos de Investimento Imobiliário

(FIIs).

Outra maneira de proteger o seu capital da inflação na Renda Variável é o mercado de ações/Bolsa de Valores. Historicamente, o

preço das ações, assim como os dividendos, tendem a ter uma correlação positiva com a inflação, ou seja, tanto o preço da ação

quanto os dividendos tendem a crescer juntamente com a inflação, e mesmo não sendo um ganho real, é uma forma de proteger o

seu capital num ambiente da alta inflacionária. É claro que, como no exemplo anterior em relação ao mercado imobiliário, é

fundamental quer você esteja investido, no mercado de ações, de forma diversificada, pra contar com esta proteção. Minha forma

favorita de investir no mercado de ações, de maneira diversificada e com baixos custos, é via Fundos ETF. Se você quer aprender

mais sobre esta modalidade de investimento, clique aqui pra ler um artigo anterior sobre este tema.

Enfim, não acredito numa volta da alta inflação no Brasil neste momento, mas enquanto investidor, é sempre bom ficarmos atentos

e termos, no nosso portfólio de investimentos, algum tipo de proteção contra esta hipótese…

Otavio Daudt

[email protected]