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Fazer Seguro - necessidade ou desperdício?

@opacefinanceiro

Se você tem algum tipo de controle detalhado sobre os seus gastos, já deve ter percebido o alto custo de manter todo, ou boa

parte do seu patrimônio, segurado… dependendo do caso, o item seguros pode representar até 5% do total dos seus gastos

anuais.

Os agentes do mercado financeiro fazem um ótimo trabalho em nos convencer de que seguro é um necessidade absoluta e de que

precisamos nos precaver, via seguro, de todas as eventuais perdas que possamos sofrer na vida.

Será mesmo?

Vamos aos fatos…

Ao comprar um seguro, basicamente, o que você está fazendo é transferir o seu risco a uma seguradora. Isto, obviamente, tem um

preço.

Ao fazer um seguro, você está entrando numa aposta que você deseja perder. Você sabe que é altamente provável que a

seguradora vai obter uma receita maior de você do que a despesa, mas é exatamente isto que você quer, pois “ganhar” este jogo

da seguradora significa que algo ruim aconteceu a você ou á sua família…

A medida que você vai construindo e fazendo crescer o seu patrimônio líquido, a sua necessidade de fazer seguro diminui, porque

você passa a ter melhores condições financeiras de arcar com o eventual prejuízo de um item não segurado. O que não significa,

necessariamente, não segurar mais nada do seu patrimônio, mas sim, ser mais seletivo em relação ao que segurar e onde possível,

diminuir o custo do seguro ao aumentar um pouco o seu risco, como por exemplo, contratando franquias mais altas…

A grande e, de certa forma, dolorosa verdade em relação a seguros é de que os que mais precisam segurar o seu patrimônio são

justamente aqueles que tem menos condições de pagar pelo seguro. Ou seja, você somente quer contratar seguro quando você

não tem condições de assumir o risco financeiro você mesmo…

Mas, assumindo que você já construiu um colchão financeiro, como ser mais seletivo em relação a sua estratégia de seguros, de

forma a minimizar o custo anual, mas sem correr riscos demasiados?

O custo do seguro é diretamente proporcional ao risco de o evento ocorrer. Alto risco, significa custo alto e vice-versa. Podemos

ver esta lógica no quadro abaixo…

O quadro mostra eventos em duas categorias, classificados entre eventos de baixa ou alta probabilidade, e que tenham alto ou

baixo impacto financeiro… a combinação das duas categorias gera quatro tipos de evento…

No quadrante esquerdo, temos as duas categorias de eventos de baixa probabilidade, ou seja, são eventos com uma chance

pequena de ocorrer. Alguns deles, caso ocorram, criarão um impacto financeiro baixo, como por exemplo, as suas malas serem

extraviadas numa viagem… outros, são raros, mas caso ocorram, criariam um efeito alto, como por exemplo, a sua casa ser

atingida por um incêndio ou destruída por um desastre natural… Por serem eventos de baixa probabilidade, têm um custo de

seguro relativamente baixo, portanto, segurar estes eventos faz sentido, especialmente os de alto impacto financeiro.

A tomada de decisão, nos eventos que fazem parte do quadrante direito, alta probabilidade de ocorrerem, é que é mais difícil, pois

são seguros mais caros… na categoria alta probabilidade, podemos citar seguro de automóvel, seguro saúde e outros… por serem

de alta probabilidade e alto potencial de impacto financeiro, deveriam ser contratados, mas se possível, e desde que você esteja

numa situação financeira confortável, com franquias elevadas, pra que o custo do seguro seja minimizado… um bom exemplo

disto é um plano de saude com co-participação em consultas e exames…

Na categoria Alta Probabilidade/Baixo Impacto, podemos citar, como exemplo, garantias estendidas em eletrodomésticos ou

eletrônicos, normalmente caras. Se você está numa condição financeira confortável e tem um bom Fundo de Emergência, este é o

tipo de seguro que você não precisa contratar, pois caso uma televisão ou o seu laptop/celular estrague, você tem condições de

comprar outro e seguir a vida.

No final das contas, a estratégia deveria ser simples… se você não tem um bom Fundo de Emergência, infelizmente você deveria

segurar o máximo possível do seu patrimônio, o que vai custar caro e prejudicar ainda mais o seu orçamento, mas você não tem

escolha, pois nesta situação, qualquer pequeno evento passar a ser uma emergencia financeira pra você…

Entretanto, se você já percorreu uma boa parte do caminho rumo à Independência Financeira, você já pode começar a ser mais

seletivo em relação aos seguros que você contrata, potencialmente maximizando ainda mais a sua Taxa de Poupança e

aumentando a velocidade da sua corrida rumo à Independência Financeira.

Uma última dica, existem no mercado vários produtos que misturam seguro de vida com investimento. De um modo geral, estes

produtos apresentam alto custo na forma de taxas de administração e baixa performance em termos de retorno liquido. Mantenha

uma estratégia de seguro e investimento separadas, isto vai minimizar o seu custo e maximizar seus retornos sobre investimento…

Otavio Daudt

[email protected]